Como na prática deixei de ser repórter cultural, acho normal expandir o blog para divagações sobre outros assuntos. Por que não falar de política? Hoje me deu vontade de escrever sobre isso. O que não quer dizer que minha paixão tenha deixado de ser o jornalismo cultural…
Igualdade e justiça
“Os mais débeis buscam sempre a igualdade e a justiça, enquanto os fortes não se preocupam nem um pouco com isso”. A frase foi retirada do livro “Política”, escrito pelo filósofo Aristóteles, e estava perdida no meio do material da faculdade. Resolvi desenterrá-la para tentar refletir sobre esta tal democracia.
Ora, os partidários da democracia acham justa a opinião da maioria. Assim, os cidadãos pobres são mais numerosos do que os ricos e, portanto, têm mais poder. De outro lado, os oligarcas valorizam a opinião de quem tem maior riqueza, por que afirmam que se deve decidir de acordo com a magnitude da fortuna. Entretanto, os dois padrões de pensamentos implicam em desigualdade e injustiça.
O que vemos no cenário de eleições 2010 não é diferente do que se via há mais de 2 mil anos, época de Aristóteles. Os pré-candidatos à presidência do Brasil “mal tiveram tempo” de assumir seus papéis e o Datafolha publica mais uma pesquisa de intenção de voto. “Serra (PSDB) abre vantagem sobre Dilma (PT)”. Odeio isso. E também odiaria se fosse o contrário.
Compradas ou não, as pesquisas são uma fraude. Fraude por que induzem o voto daqueles que não querem “perdê-los”. Outros concorrentes como Ciro, que ainda nem sabe se o PSB vai deixá-lo entrar na disputa, e Marina Silva (PV) já estão descartados antes mesmo de exporem suas ideias. Ah, como sou débil de buscar igualdade e justiça. Uma eleição não é feita de ideias (a menos que sejam estratégias de marketing). É feita de dinheiro e de alianças políticas.
Serra e Dilma querem se aliar a partidos que dispõem de mais tempo na TV para a propaganda eleitoral, independentemente de seus históricos éticos e ideológicos, conforme reportagem da “Veja” desta semana. O fato é que um dos dois será o novo Presidente da República: claro, o mais forte (provavelmente quem for capaz de comprar mais votos – de verdade, como nos tempos do coronelismo, - ou simplesmente criar uma bela imagem e seduzir os desavisados).
E (quase) todo mundo se engana achando que a democracia é uma maravilha. Triste saber que as pessoas anseiam por igualdade e justiça, mas esses valores só existem no mundo das ideias. Criação de um outro filósofo, Platão. E essa é uma outra história. Se não há outro remédio, força.