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Sertanejo sim!

Definitivamente, alimentar um blog toda semana não é para qualquer um. Para mim, se tornou um hábito quase anual, devido à falta de tempo.

 Mas nessas andanças por aí, muita coisa aconteceu na cidade e dentro de mim. Prometo tentar ser mais antenada daqui para a frente. 

Mergulhada de corpo e alma nas pautas que abraço (em especial as de cultura), aprendi a gostar de sertanejo, sim. Não que eu fosse uma roqueira bitolada que odeia o mundo country. Longe de mim. Mas há muito tempo não parava para ouvir um CD do gênero de cabo a rabo.  

Quando recebi a proposta de um freela para revista sobre o show de Victor & Leo, mal sabia quem era o primeira-voz da dupla e conhecia no máximo umas quatro canções deles.

Um CD, um show e uma entrevista depois, sou mais uma das milhões de fãs dos queridinhos do Brasil. Não é à toa que os irmãos Chaves ganham cada vez mais espaço na mídia. Não é à toda que Victor é o compositor com mais músicas executadas.  Eles são bem mais que dois homens bonitos.

Abaixo reproduzo texto feito no fim de novembro do ano passado, quando os artistas se apresentaram em São José do Rio Preto (SP). Espero que gostem.

METAMORFOSE

Considerado um divisor de águas para Victor & Leo, “Borboletas” se consolida como o álbum mais maduro e original da dupla

 

São José do Rio Preto, 28 de novembro, 22h30. Congestionamento de carros circunda o recinto de exposições. Chega gente de bota, chapéu e fivela. Também há quem não dispense o vestidinho do verão. Salto alto afunda na areia. Pés desviam de buracos.

Longe das vistas estão Victor e Leo, as únicas estrelas que brilham nesta noite. E um mundaréu de seguranças e caixas de pizza quentinha.

Ultrapassado o primeiro portão sob o olhar fuzilante de fãs premiadas por uma rádio local, a espera continua. Um mal-humorado produtor explica que eles não são goianos nem vão falar sobre a vida pessoal. Dentro do camarim, os irmãos nascidos em Ponte Nova (MG) e criados em Abre Campo são como dois pontos de interrogação para jornalistas e colunistas sociais de plantão.

Uma por uma, as equipes de TV entram na sala, montada atrás do palco. Sem cinegrafista, porém, não se pode fazer mais do que uma pergunta para cada artista. Passar pelo último obstáculo é como um prêmio de consolação por estar de pé há quase uma hora e meia com um gravador cor-de-rosa na mão.

Vitor e Leonardo Chaves Zapalá Pimentel não poderiam ser o oposto da imagem que os consagrou como revelação do sertanejo universitário. E não são.

Victor é sorridente e falastrão. Faz das respostas um discurso bem elaborado para dar colher-de-chá à repórter censurada. Leo é mais tímido, mas não menos agradável. Dispõe-se a uma fala extra com direito a beijinho e abraço de despedida, quando o mesmo produtor pede para encerrar a entrevista.

Mas nem só de beleza e simpatia sobrevive a dupla, que acaba de lançar “Borboletas” – terceiro disco pela Sony/BMG. Até que a fama batesse à porta e concordasse em ficar, foram quase 15 anos de trabalho duro.

Desde 1994, Victor & Leo se dedicam à música. Na época, os dois trocaram o Interior por Belo Horizonte para fazer aulas de canto e iniciar a carreira em bares e casas noturnas. Depois foram para a Capital paulista, onde gravaram seu primeiro CD, pela Number One, em 2002.

Nos anos seguintes, produziram dois álbuns independentes: “Vida Boa” – que por questões mercadológicas não está à venda, assim como o anterior – e “Ao Vivo” – cuja repercussão propiciou contrato com a atual gravadora em 2007, dando origem ao CD homônimo e, conseqüentemente, a seu primeiro disco de ouro.

Ainda naquele ano, os holofotes se acenderiam sobre a dupla com o quarto CD e primeiro DVD, “Ao Vivo em Uberlândia”. Diferentemente de outros artistas do gênero, Victor & Leo tinham mais do que uma música de trabalho. Foram emplacados nas rádios de todo o Brasil hits como “Fada”, “Vida Boa”, “Sinto Falta de Você”, “Amigo Apaixonado”, “Fotos”, “Lembranças de Amor” e “Tem Que Ser Você”, todas escritas por Victor.

“Cada canção tem uma cor. ‘Vida Boa’, fala de um sapo que caiu na lagoa e ficou tão feliz quanto alguém que ama o sertão quando está lá. As pessoas nos perguntam qual o sentido do sapo, da fada… O sentido é metafórico. Basta ouvir e metaforizar”, explica o compositor, que está entre os maiores arrecadadores de direitos autorais do Brasil, na lista do Ecad.

Em 2008, a febre invadiu também o exterior. O CD “Nada es Normal”, gravado entre março e abril, em São Paulo, e lançado em seguida no mercado latino – começando pelo México, passando por outros países e chegando a Porto Rico e Miami (EUA) – traz sucessos novos e antigos, em espanhol. Detalhe: o idioma dos “hermanos” foi aprendido na estrada, entre um compromisso e outro.

“Ficamos muito felizes por levar a outras pessoas um pouco da energia da música brasileira, que é o que fazemos, embora em outra língua”, diz Victor.

De volta às terras tupiniquins, eles partem em turnê com “Borboletas” e colhem os louros por um trabalho maduro e original. São 12 faixas que misturam pop, country rock, chamamé, forró e, claro, baladas românticas. Tudo tem o dedo, ou melhor, a voz forte e aveludada dos mineiros de 33 e 32 anos, respectivamente.

“Temos a preocupação de fazer música sem imitar ninguém. Nossos arranjos, composições e interpretações mostram nossa personalidade”, conta o primeira-voz, Leo.

Característica que explica, em parte, a paixão das mulheres, que gritam desafinadas sem saber se querem chamar a atenção dos ídolos ou das “concorrentes” (como se precisassem de motivo para histerismo). Nem a aliança dourada na mão esquerda de Leo inibe as frases atrevidas e os cartazes na fila do gargarejo daquelas que queria tê-los para sempre em um acústico particular.

Lá pela segunda metade do show de abertura da turnê nacional, Victor conta que, certa vez, a dupla chegou em um bar para tocar e não havia público. Então apareceu um senhor e ficou esperando pela primeira música. Hoje, rodeado por um mar (ou jardim, se preferir) de pessoas, diz com humildade que valoriza a presença de cada um.

A faixa-título abre a seleção feita em estúdio, com letra sobre transformações pessoais.

“‘Borboletas’ traz uma visão diferente de ‘Fada’, que é mais romântica. É um divisor de águas. Assim como as borboletas se metamorfoseiam para alcançarem vôos mais altos, a gente está sempre mudando afetivamente. A canção se tornou título por isso. Temos a intenção de nos modificar para melhorar sempre”, define Victor.

No palco, entretanto, é a boa e velha “Fada” que abre passagem para as asas de sua sucessora. Uma forma de esquentar o coro para que a platéia cante sozinha enquanto papéis picados voam pelo ar e a banda formada por Ivan Corrêa (contrabaixo), Alexandre de Jesus (percussão), Luciano Passos (acordeom) e Leo Pires (bateria) cuida da melodia.

“Nada Normal”, “Sem Trânsito, Sem Avião” e a faixa-bônus “Tem que Ser Você” – trilha sonora da novela “A Favorita”, exibida pela rede Globo – estão garantidas no repertório, entre clássicos do sertanejo como “60 Dias Apaixonado”, de Chitãozinho e Xororó, e canções próprias de produções passadas. As demais inéditas constam na “bolachinha”, que o ambulante carrega em meio a faixas de cabelo com letras luminosas e fotos, como se fosse um tesouro.

“Lado Errado”, “Timidez”, “Tanta Solidão”, “Luz, Paixão, Rodeio”, “Noite Estelar”, “Razão do Meu Astral”, “Você Sabia” e “Deus e Eu no Sertão” completam a coleção, que tem espaço para histórias de amor (longe da tradicional dor-de-cotovelo e dos refrões com duplo sentido) e também para letras poéticas sobre a beleza da vida no campo; que podem ser para dançar ou para se emocionar (de preferência com alguém especial do lado).

Neste ano, a dupla pretende continuar com os pés no chão e a cabeça no céu.

“Pode ser que a gente grave alguma outra coisa, talvez um DVD. Mas se for para gravar, será no meio do ano, para lançar no final. Ou seja, o que vai rolar agora é ‘Borboletas’, para que as pessoas tenham a oportunidade de absorver o que a gente quer passar com este trabalho”, completa Victor, com o sorriso de quem está no caminho certo.

As cortinas se fecham. Eles reaparecem mais perto dos olhos. E das mãos. Tocá-los é como um prêmio de consolação para elas, por mais de uma hora e meia de fidelidade. Missão cumprida.

Semeia papéis pelo chão, põe cadeira no palco, pinta traços na parede, desenrola uma corda na boca de cena.

“Alô? Sim? Que tipo? Que tamanho? Lauda de 20 ou de 30? 70 ou 80 toques por linha? Com espaço? Simples ou duplo? Pra quando? Pois não. Perfeitamente…”

Blackout.

Ator atrás da cadeira, gravador nas mãos, sai de costas, anda na corda bama e volta à cadeira, sempre de costas.

(…)

O espetáculo ainda não começou. A campainha toca três vezes. Entra a locucação de abertura, com aquela velha história: desliguem seus celulares, blábláblá…

O ator volta para, aí sim, dividir as perturbações do escritor contemporâneo com seus contemporâneos. Sensacional sua presença de palco. Sensacional o jogo de luzes.

O público interage, sugerindo letras que se encaixam entre os traços pretos em fundo branco como se brincasse de forca. Em seguida, um senhor consulta o “Dr. Aurélio” [dicionário que ocupa a primeira fila de cadeiras, no Sesc] e descobre que “veleidade” significa “vontade imperfeita, hesitante; intenção passageira”. Traduzindo: “frescura”.

Enquanto o escritor contemporâneo tenta se livrar da carga enfadonha de uma coluna diária publicada no jornal – sujeita a diagramações volúveis e censuras veladas em prol de anunciantes – um ou outro espectador é engolido pela máquina da contemporaneidade. Está no teatro, diante do ator, mas não resiste à ânsia de devorar o livreto com a concepção cênica na íntegra antes de assistir às cenas. Na verdade, ele nem as assistirá, vidrado nas páginas ordenadas pelo alfabeto, em vez de números cardinais.

Quando o autor de “Literatura Contemporânea”, Fernando Bonassi, diz que o teatro é sua cachaça, pois só ele faz a palavra existir no tempo e no espaço, talvez queira dizer aos presentes que o espetáculo se sobrepõe à literatura, por mais que este seja o mote de tudo. Mas o fora do comum é mais comum do que parece…

Em certos momentos, César Figueiredo se solta da corda que o prende pelos pés a uma cadeira e salta a quarta parede num lapso de liberdade. Entretanto, o escritor contemporâneo volta para o tablado para terminar seu sacrifício…

(…)

“Os filhos chegam do colégio e se trancam no quarto… A esposa chega do trabalho e se tranca no banheiro… Vão jantar separadamente a comida requentada do almoço… (põe a “gravata” no pescoço e arruma-se) E tentar dormir outra vez, como seus contemporâneos.”

Ele sai e leva a cadeira arrastada pela corda presa ao seu corpo. A platéia, inquieta, o aplaude de pé, como se revenrenciasse suas próprias pertubações contemporâneas. O autor e diretor observa sua estréia nacional em silêncio, oculto na cabine, atrás de seus óculos.

O retorno

Passei semanas de férias do blog, à espera de um evento que merecesse comentário. O que fiz de mais “cult” nos últimos tempos foi assistir a “Crônicas de Nárnia – o Príncipe Caspian”, no cinema, e colecionar frases prontas de comédias românticas, exibidas insistentemente pelo Telecine.

Na verdade, descobri que não há nada mais poético do que conhecer a si mesmo. Costumo rir de mim mesma ao ficar descabelada depois de seguir pela rodovia com o vidro do carro aberto. Mas não me permitia ser elogiada por uma senhora com seus 60 anos por ter olhos bonitos, contornados com lápis preto.

Apliquei o que aprendi com os filmes e deixei de ser coadjuvante da minha própria vida. Matei alguns fantasmas com o peso de um novo estojo de maquiagem e um pouco de coragem. A felicidade não é uma condição, mas sim uma escolha. Voltei.

Virando números

Neste ano, a Virada Cultural Paulista em Rio Preto capotou. Dividido prioritariamente em dois espaços – Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto e palco principal, na Praça Cívica – o evento mostrou pouca versatilidade.

 

De um lado, um público restrito acompanhou produções intelectualizadas como o show de Iara Rennó, inspirado na obra literária “Macunaíma”, de Mário de Andrade. De outro, uma pequena multidão se amontoou em um espaço limitado, mal iluminado e com péssima qualidade de som para curtir as atrações populares, entre as quais a banda Nação Zumbi, envolta por uma névoa de maconha. As crianças que se divertiram com “O Teatro Mágico”, em plena madrugada, em 2007, passaram longe dali, com as mãos grudadas nos ouvidos.

 

Foram 19 cidades do Interior, quase 500 atrações e mais de 730 mil espectadores. Os números divulgados pela Secretaria de Estado da Cultura, no entanto, são apenas números. Sobra estatística, falta qualidade. Salvas raras exceções como a presença da simpática e talentosa Marina de la Riva e do Grupo Breviário com seu espetáculo “Gota D’Água”.  

 

As atividades do Sesc foram incluídas de última hora na programação. A distribuição de convites para o espetáculo “Fulano e Sicrano”, do Centro Teatral Etc e Tal, ocorreu com dias de antecedência, contrariando as normas do município. Os desavisados formaram fila de espera e geraram confusão. Segundo a assessoria de imprensa, a apresentação na unidade estava programada há meses.

 

A estrutura física do palco principal e da Bienal do Livro foi a mesma. Com 365 dias no ano seria mesmo necessário casar os dois eventos para “multiplicar” a lista de convidados de ambos?

 

O governo parece maquiar o evento para que tenha o mesmo glamour das noites brancas parisienses. Pena que as máscaras caiam depois de 24 horas. 

Come back!

 Quem esperava pelo show dos ex-integrantes do The Doors Ray Manzarek e Robby Krieger no Centro de Eventos de Rio Preto, nesta quinta, deve esperar (e rezar) até o fim do ano.

De acordo com o produtor e proprietário da Indústria de Eventos, Mário Ruas, a segunda turnê nacional da banda Riders on the Storms – que também deveria passar pelo Rio de Janeiro, no dia 21, e por Curitiba, no dia 22 – foi adiada.

“Apesar de nossa insistência, prevaleceu a logística da turnê com shows no Panamá, Costa Rica e Guatemala. De lá, eles voltam aos Estados Unidos”, explica.

As negociações com os empresários continuam em andamento para que os músicos retornem ao Brasil em outubro para quatro apresentações, inclusive em Rio Preto. Segundo Mário, independentemente desta confirmação a idéia de inserir a cidade no circuito do show business internacional segue a todo vapor.

O projeto “Rio Preto in Concert” deve ser apresentado a empresas, órgãos municipais e mídias locais na primeira semana de maio.

“Para se ter idéia, existem cerca de dez produtoras no mercado brasileiro que atuam neste setor. Já conversei com todas, mas falta alinhavar alguns detalhes. Estou bastante confiante, acho que vai dar certo”, afirma.

Uma das atrações confirmadas seria o cantor norte-americano Alex Band, do The Calling, que faz temporada no país entre 20 de junho e 5 de julho.

“Já está no Youtube a mensagem que ele gravou para os fãs brasileiros. Em Rio Preto, ainda não confirmamos a data, mas deve ser logo no início”.

Choros e risos

Um drama com toque de humor ou uma comédia dramática?

O espetáculo “Chorinho”, de Fauzi Arap, explora de forma magistral a fragilidade humana. Situações do cotidiano como violência e uso de drogas são tratadas com leveza, sem perder a intensidade.

Não é à toa que o autor recebeu o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), em 2007. Não é à toa que o diretor Marcos Loureiro e os atores Caio Blat e Claudia Mello colecionam aplausos demorados por onde passam.

Os personagens – Gianni (em homenagem ao diretor italiano Gianni Ratto, amigo de Fauzi) e Clarice (para citar a escritora Clarice Lispector, também sua amiga) – dividem espaço com um banco de praça, algumas peças de roupas em frangalhos, uma garrafa de “cachaça”, uma escova de dentes e duas caixas de cerveja, recheadas de jornais velhos.

Simples como o cenário são os diálogos que – entre  as caras e bocas dos intérpretes – encantam a platéia. Uma dona-de-casa, solteirona, e  um morador de rua por convicção tornam-se super-heróis de um mundo real, que quase ninguém vê.

Mas o que seria a vida se não um drama, que nos faz rir das próprias desgraças? O que seria o ser humano se não um misto de acertos e erros em forma de gente?

No palco, Caio baba. A platéia o copia, no sentido denotativo. O cansaço das gravações e da viagem existem, mas ele não demostra. E todos aqueles que procuravam pelo galã no Teatro Municipal de Rio Preto, neste fim de semana, saem bestializados com a sensação de que o mundo é igual para todos. Vão-se os nomes. Fica o talento.

Open The Doors

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 O músico norte-americano Ray Manzarek, do The Doors, reproduziu os sons da chuva em seu piano Rhodes, na canção “Riders on the Storm” (em tradução livre, “Caminhantes na Tempestade”), no início dos anos 1970. Mas os trovões daquela época ecoam até hoje.

Para homenagear os 40 anos de criação da banda que se tornou ícone do rock internacional, celebrados em 2006, o tecladista e o guitarrista, Robby Krieger, fazem turnê pela América Latina desde o ano passado, com a banda Riders on the Storm, formada ainda por Bret Scollin (ex-The Fuel), no vocal, e Ty Dennis, na bateria.

No repertório, grandes sucessos como “Break on Trough (To The Other Side)”, “Light My Fire”, “People Are Strange”, e, claro, “Riders On The Storm” – single que alcançou o 14º posto nas paradas de sucesso dos Estados Unidos e ainda hoje é um dos mais executados.

O grupo desembarca no Brasil no dia 9 de abril. Depois de passar pelo HSBC Brasil (antigo Tom Brasil), em São Paulo, no dia 10; pelo Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, no dia 11; e pela arena Pepsi On Stage, em Porto Alegre, no dia 12; eles seguem para as principais cidades do Chile, do Peru, da Argentina e do Equador.

De acordo com o proprietário da Indústria de Eventos, Mário Ruas, está prevista uma segunda etapa da turnê nacional no Rio de Janeiro, no dia 21, e em Curitiba, no dia 22 – ambos em locais a serem definidos – e no Centro Regional de Eventos, em Rio Preto, no dia 24.

“O evento ainda não está 100% fechado. Houve um impase, pois existia oferta de shows na Venezuela no mesmo período e, por questões de logística, o assunto está em discussão, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Teremos uma resposta nos próximos dias”, diz.

O produtor destaca ainda que reconhece na cidade e macro-região potencialidade e carência para a realização de eventos.

“Queremos inserir Rio Preto no circuito do show business internacional. Este seria o primeiro show, do que viria a ser o ‘Rio Preto In Concert’”.

Dependendo da resposta do público, artistas como Billy Paul e Christopher Cross podem aterrissar na cidade nos próximos meses. E não há tempestade que faça os caminhantes sairem desta rota.

Salve Gil!

 Domingo, 20h10. Da recepção do Sesc Rio Preto era possível ouvir “Pela Internet”. Nada mais apropriado para abrir o show intitulado “Banda Larga”, de Gilberto Gil. E não demorou para que o público aprendesse com quantos gigabytes se faz uma jangada, um barco que veleje. Um barco cibernético, capaz de velejar pelos sete mares.

Sambas, xotes, xaxados, baladas, reggae e rock’ n’ roll. Agudos de Gil, que poderiam ser de Frank Aguiar; rebolado frenético, que lembrava vagamente a coreografia da funkeira Lacraia; gestos obscenos dignos do papito, Supla; agradecimentos levemente diferenciados dos de Fábio Júnior; flexões de deixar qualquer adolescente de boca aberta; beijos; reverências; tapas no rosto; braços estendidos para o céu, em forma de abraço. Teve de tudo no tabuleiro deste baiano, vestido de branco, símbolo da paz.

Sim, com quase 66 anos, Gil ainda é um moleque. Que canta, que toca sua guitarra vermelha com a energia de um eterno tropicalista, que afina seu violão elétrico no palco e toma seu gole de água mineral em taça de vidro, aos pés do percussionista Leonardo Reis. Que apresenta o filho Bem Gil (guitarra), mas acende os holofotes sobre as cordas de um outro guitarrista, Sérgio Chiavazzoli, cujos solos enlouquecem os velhos, os novos, as famílias, os amigos e os casais de namorados.

A banda, formada ainda pelos competentes Arthur Maia (baixo), Alex Fonseca (bateria) e Claudio Andrade (teclados), dá show à parte do começo ao fim.

Sem contar os lampejos de um músico-ministro que usa a sutileza para fazer críticas sociais. Se o presidente Lula é popular, o chefe do Ministério da Cultura é mais. Quem não teria se identificado com os versos “Bem que eu me lembro da gente sentado ali, observando hipócritas, na grama do aterro sob o sol”, em alusão a “Woman No Cry”, de Bob Marley? Ou então “E o governador promete, mas o sistema diz não”, de “Nos Barracos da Cidade”?

O cenário e o tempo mudam, mas ele não. Sua “Banda Larga” tem pelo menos oito megas de velocidade.

Por fim, “Toda menina baiana” surge como um convite ao Carnaval de Salvador. Até quem não viu o grande encontro de Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Claudia Leitte e Preta Gil, diante do Expresso 2222, no último dia de festa, sentiu-se com um pé no Nordeste. Cantar o refrão da música e tirar os pés do chão tornaram-se sinônimos. Um desfecho apoteótico para o rei. E o povo agradece o presente que Deus deu, que Deus dá…

Jornalismo literário

Desde o início da faculdade, me interesso pela prática do jornalismo literário e até adquiri alguns livros sobre o assunto. Dia desses, o jornalista Matinas Suzuki repassou o texto a seguir – escrito pelo repórter Rick Bragg, do “New York Times”, e traduzido por ele. Longe de fazer a linha “politicamente correta”, quando crescer, quero escrever textos assim… 

Tudo que ela tem, US$ 150 mil, vai para a universidade

Oseola McCarty passou a vida fazendo os outros parecerem bonitos. Dia após dia, na maior parte de seus 87 anos, ela carregou fardos de roupa suja e deixou-as limpas e bem-passadas para festas que nunca participou, casamentos para os quais nunca foi convidada, formaturas que nunca viu.

Ela teve que abandonar a escola na sexta série para trabalhar, nunca se casou, não teve filhos e nunca aprendeu a dirigir por que não havia nenhum lugar especial aonde quisesse ir.

Tudo que ela tinha era o seu trabalho, que via como uma benção. Muitos outros negros das áreas rurais do Mississipi não tinham nem isso.

Ela não gastou quase nada. Morava na velha de sua família, cortando as pontas dos sapatos quando eles apertavam e remendando sua gasta Bíblia com durex para segurar os Corintos, que teimavam em se soltar. Ao longo de décadas, seu pagamento, na maioria notas de U$1 ou moedas, cresceram até chegar a US$ 150 mil.

“Mais do que poderia usar em minha vida”, diz sem um traço de autocomiseração Miss McCarty. Por isso ela está dando seu dinheiro para financiar bolsas de estudo para estudantes negros na Universidade do Sul do Mississipi, sua terra natal, onde a anuidade custa US$ 2.400,00. “Quis repartir minha riqueza com as crianças”, disse Miss MacCarty, cujo único arrependimento foi nunca ter voltado para a escola. “Não me importava de trabalhar, mas estava sempre tão ocupada. Quem sabe assim as crianças não terão que trabalhar como eu”.

Doce ditadura

Um ano depois de receber o Oscar de melhor ator por “O Último Rei da Escócia” (“The Last King of Scotland”, 2006), Forest Whitaker interpreta Idi Amin Dada em minha TV (brilhantemente, por sinal!).

Baseado no livro do jornalista inglês Giles Foden, o diretor Kevin Macdonald inicia a história real do ditador de Uganda, nos anos 1970, com contornos de aventura. Nicholas Garrigan (vivido pelo também excelente James McAvoy) é um médico escocês recém-formado que escolhe aleatoriamente onde vai trabalhar. Ao chegar ao território africano, no entanto, ele terá de atender a um acidente bizarro: o líder recém-empossado do país, Idi Amin (Forest Whitaker), atropelou uma vaca.

Ousado, o jovem realiza os primeiros-socorros ao ilustre paciente e atira no animal para aliviar sua agonia. Este será o fio do novelo para que a trama se desenrole.

Amin o convida para ser seu médico particular e posteriormente seu conselheiro mais fiel. O que Garrigan não imagina (e os jovens desavisados também não) é que está prestar a pertencer ao círculo íntimo de um dos homens mais cruéis da história. Para se ter idéia, atribuí-se a seu governo cerca de 300 mil a 500 mil mortes – todos supostos seguidores de Obote, seu inimigo político.

Num misto de vingança e paranóia, o próprio médico será vítima do déspota ao se envolver com uma de suas mulheres. Entre diálogos muito bem construídos, cenários interessantes e dramas humanos, o telespectador é convidado a refletir sobre amor e traição. É neste momento que uma série de cenas de ação toma conta do filme e o coração acelera.

Boa pedida para aqueles que gostam de histórias emocionantes. Não recomendado para mulheres sensíveis na TPM.

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